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Histórico
A disciplina de Doenças Infecciosas e Parasitárias (DIP) da UFRJ foi criada no início do século XX por Carlos Chagas. Durante várias décadas, o grupo da DIP foi um dos principais do país, realizando pesquisas no que, então, se denominava
medicina tropical.
O Programa de AIDS do HUCFF, conduzido pela equipe do Serviço de DIP, foi implantado em 1987, tendo como propósitos o atendimento multidisciplinar aos indivíduos infectados pelo HIV, o treinamento de profissionais da saúde e o desenvolvimento de pesquisas. Os dois primeiros foram prontamente atingidos. O HUCFF em pouco tempo se tornou um dos principais responsáveis pela assistência a portadores do HIV no Estado do Rio de Janeiro. Fez-se, também, importante parceiro do Ministério da Saúde e das Secretarias Municipal e Estadual da Saúde na promoção de cursos de treinamento para profissionais oriundos de vários Estados da Federação e de outros países.
Em 1989, o Programa de AIDS do HUCFF optou por investir na criação de uma infra-estrutura de suporte para a pesquisa clínica. Em setembro de 1989 foi assinado um convênio de cooperação técnico-científica entre a UFRJ e a Petrobrás SA, que permitiu a criação do Laboratório de Pesquisas em AIDS do HUCFF. No momento de sua criação, os principais pontos a diferenciar o Laboratório dos existentes na maioria das instituições públicas brasileiras eram a inserção em uma estrutura primordialmente assistencial e a capacidade de realizar todos os exames então considerados importantes para o acompanhamento de indivíduos infectados pelo HIV.
O Laboratório de Pesquisas em AIDS do HUCFF foi inaugurado em 1990, sob a coordenação do Prof. Mauro Schechter, Professor Titular de Doenças Infecciosas e parasitárias da Faculdade de Medicina da UFRJ. Atualmente, o laboratório faz parte das Redes Nacionais de Carga Viral, de Imunofenotipagem e de Genotipagem para o HIV. O laboratório é acreditado pela Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial e participa de vários programas nacionais e internacionais de controle de qualidade, entre eles Controllab, UK-NEQAS e College of
American Pathologists.
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Em 1995, também sob a coordenação do Professor Mauro Schechter, o Projeto Praça Onze iniciou suas atividades. À época, tratava-se de um projeto preparatório para futuros estudos de vacinas anti-HIV e que recrutou homens com alto risco de adquirirem a infecção pelo HIV e que relatavam relações sexuais com outros homens. Aproximadamente 850 homens foram recrutados e retornaram ao local de estudo por pelo menos 2 vezes. Foram observadas 34 soroconversões para o HIV, o que representou uma soroincidência de 3,1 por 100 indivíduos/ano. |
Após o término deste estudo, foi realizado outro que visava avaliar possíveis mudanças no comportamento sexual de 200 homens que relatavam relações sexuais com outros homens e que tinham fácil acesso à profilaxia anti-retroviral pós-exposição sexual (PEP). Participantes receberam medicação anti-retroviral suficiente para 4 dias, e foram instruídos para começar PEP imediatamente após qualquer exposição de alto risco e para comparecer em até 96 horas para avaliação. Se a exposição fosse considerada de alto risco, o participante receberia medicação para mais 24 dias. Neste estudo, concluiu-se que o acesso a PEP não se associou com o aumento de atividades de risco para a infecção pelo HIV.
Em 2000 foi inaugurada a Unidade de Testes Terapêuticos do Projeto Praça Onze. Desde então, mais de 30 estudos foram realizados ou se encontram em andamento, a maioria envolvendo novas drogas para o tratamento da infecção pelo HIV. Em 2001 iniciou-se a participação do Projeto Praça Onze em estudos de avaliação de vacinas preventivas anti-HIV/AIDS, com a condução de um estudo de Fase II. Desde então, outros quatro estudos de fases 1 ou 2 para a avaliação de produtos vacinais foram realizados ou se encontram em andamento.
Algumas das características que tornam o Projeto Praça Onze um local ideal para a realização de pesquisas incluem:
Localização no centro do Rio de Janeiro, próximo à Estação Praça Onze do Metrô, em área servida por inúmeras linhas de ônibus;
Documentada experiência em recrutar e acompanhar, com altas taxas de seguimento, participantes em estudos clínicos e epidemiológicos.
Uma equipe treinada na condução de testes terapêuticos de acordo com as normas de Boas Práticas Clínicas (GCP);
Laboratórios e uma infra-estrutura clínica inteiramente dedicados à pesquisa, incluindo àreas com nível de biossegurança 2, freezers –80º, certificações laboratoriais nacionais e internacionais, e técnicos capacitados para o preparo e envio de amostras biológicas de acordo com as normas da IATA;
Acesso a grande número de indivíduos com infecção pelo HIV, em tratamento ou virgens de tratamento.
Acesso a grande número de indivíduos com doenças sexualmente transmissíveis ou sob risco de adquiri-las;
Uma equipe que inclui médicos de várias especialidades (clínica médica, infectologia, proctogia e ginecologia), treinados na coleta de secreções cervicais e seminais para a detecção de vírus, incluindo HIV e HPV.
Atualmente, diversos estudos estão em andamento ou estão previstos para começar em futuro próximo no Projeto Praça Onze.
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